quinta-feira, 18 de março de 2010

Sobre rosas




Eu não gosto do cheiro de rosas

Elas sempre me lembram morte.

Esquisito. Porque tulipas,

Tulipas, sim, são símbolos de morte



Rosas são sempre associadas ao amor,

Justamente o oposto.

Por que não margaridas?

São mais alegres e joviais,

Mais vivas, e o miolo amarelo, e as pétalas brancas.



O amor tem que ser sempre alegue,

Porque se não, pra que senti-lo?



O cheiro de rosas me lembra funeral,

Acho que é por isso que não o gosto.

A morte não me incomoda, os funerais, sim.



São chatos e contraproducentes.

Choram os mortos, mas devemos é festejar.



Li uma vez, que tem um pais

Em que se festeja quando alguém velho morre

Porque ele viveu bastante.

Não sei se tem rosas lá.



Tem gente que adora rosas,

Eu não, prefiro Tulipas,

E margarida, e sempre-vivas,

E orquídeas, e Hortênsias...

São mais alegres

quarta-feira, 17 de março de 2010

Cheiro de flores



Todos choram sobre mim
E o cheiro de flores é insuportável.
Eu caminhava pela rua
Já com rosas nas mãos
Só tinha a parca luz da lua
A iluminar meu caminho
E o cheiro de rosas é irrespirável

Passei por bares a procurá-la
Nunca fora santa, era puta diziam
Amava-a muito, nunca a julgava
Se fosse puta ou não pouco importava
E o cheiro de flores é intragável

Perto do posto travestis
Logo depois traficantes
Chegou a policia, tiros!
E o cheiro de flores é inegável



Todos choram sobre mim
O dia é de sol forte
E o cheiro de flores é insuportável

Espelho Cego



Só e sentado, o Homem reflete a si mesmo.
Na solidão de si, já não há mais Deus,
Nem amor, nem ódio, nem fé

No escuro ele pensa sobre tudo,
No silencio ele escuta a verdade:
Ninguém se importa.

Somente ele é a verdade,
Jogado no canto de sua alma.
O silencio e o escuro.
No escuro ele viu a vida.
Inesquecível, imperdoável, implacável.

No silencio ele ouve o nada.
Vazio e cheio de si.
O nada o completa e o mata,
O nada lhe acrescenta,
O nada o traz a realidade,
O nada o faz ver que
O nada não está ali também.

Sentado e só, o homem reflete a si mesmo.

segunda-feira, 1 de março de 2010

A dança da Morte



Ele esta na trincheira quando escuta seu canto

Tralala lalala, tralala lalala

Vê a mulher caminhando, só, pela bruma

Ela traz um sorriso nos lábios

Sua pele é branca como algodão

Os cabelos longos, lisos e negros

A boca é um contraste dos lábios vermelhos com os dentes brancos.

E o sorriso é de gelar os ossos.


De repente um disparo

E outro, e mais outro

Inicia-se a batalha

E a cantoria dela aumenta

Tralala lalala tralala lalala

Tralala

Tralala lalala


Um círculo de fogo se forma entorno dela

Muitos caiem dos dois lados

O sangue voa pelos ares

E a cantoria se intensifica

Tralala lalala tralala lalala

Tralala

Tralala lalala

Tralala lalala tralala lalala

Tralala


Ela salta e gira num rítimo frenético

Parece um sátiro saltando à fogueira

Mas seus pés não produzem som

Ela dança e meus olhos não saem dela

Os tiros são muitos e não me preocupo


Ela dança feliz

O sorriso nos lábios

Os olhos azuis faíscam

O diabo fez o palco e ela dança


Pulos e rodopios, corpos caindo

O chão vermelho, encharcado de sangue

E a morte pula e gira dentro do circulo de fogo

Cantarola sua musica infernal e doce


Linda, ela chama meu nome

Sequioso caminho até ela

Tiros passam por mim sem me atingir

A morte me convida a dançar

É impossível resistir

Pulo e giro dentro do circulo de fogo

Minha arma dispara

Rajadas e mais rajadas de chumbo

Ela ri e pula comigo e gira comigo

E canta comigo

Tralala lalala tralala lalala

Tralala

Tralala lalala


É doce e gostoso dançar com a morte.